Mostrando postagens com marcador França. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador França. Mostrar todas as postagens

31 de jul. de 2009

Paris

Não posso negar que tenho uma certa queda por esta cidade. Por consequência, os filmes nela ambientados sempre me atraem. Este, em especial, é uma homenagem à cidade e seus habitantes, um filme sensível e bonito, que usa como base uma história de morte mas que fala, de forma geral, desta cidade tão bela e ambígua, com seus personagens e circunstâncias.

O diretor e roteirista, Cédric Klapisch, é o mesmo de “Albergue Espanhol” e “Bonecas Russas”, filmes que eu gosto bastante, e o elenco é ancorado por Roman Duris (que estava nos dois anteriores) e a bela Juliette Binoche. Trata-se da história de Pierre, um dançarino que descobre ter um problema cardíaco, que só pode ser resolvido com transplante, e o obriga a ficar em repouso, em casa. De sua sacada, ele passa a observar mais atentamente a cidade e seus personagens.

A partir daí, o filme se desdobra em outras histórias paralelas, que eventualmente se cruzam. Nelas, amor entre um professor mais velho e sua aluna, imigrantes, feirantes, trabalhadores, enfim. Uma gama bem rica de personagens e seu ambiente cotidiano. Paris bela e ao mesmo tempo sem o glamour que normalmente lhe é imputado – o que, de maneira alguma, a torna menos fantástica.

Não há na obra nenhum grande lampejo de genialidade, mas há elementos que eu particularmente aprecio num filme e que o tornam, por isso mesmo, raro. Beleza (fotografia e trilha, que neste filme são muito boas), ritmo, emoção, pessoas e suas relações com sentimentos sinceros, sejam eles tortos ou não. O que sente e como age a irmã que descobre que seu irmão pode morrer - briga com ele por não ter lavado a louça ou não? O que sente a menina que se envolve com o professor mais velho, mas não o ama, e como ele se sente ao vê-la com um rapaz de sua idade, mesmo sabendo que é o caminho mais natural das coisas? E o ex-marido que não suporta a ex-mulher por seu comportamento, e sofre de forma lancinante com sua morte. E o migrante que vive em Camarões e que ‘conhece’ a vida em Paris pelos postais que o irmão lhe envia, e parte daí a construção de seus sonhos. Essas histórias me encantam.

E – sei que me repito, perdoem – ver Paris, com ou sem glamour, é sempre muito bom.

paris

Título original: Paris
Origem/Ano: França – 2008
Duração: 130 min.
Direção e Roteiro: Cédric Klapisch
Sinopse: Dançarino descobre uma doença no coração que o obrigado a ficar em repouso, até que consiga fazer um transplante. Sua irmã muda-se com os filhos para ajudá-lo. A partir daí, ele passa a observar com atenção a cidade em que vive e seus personagens.

5 de jun. de 2009

Dias de Glória

Gostei bastante deste filme que conta um pouco da história sacana da França com seus ‘colonizados’. Boas atuações, especialmente do cativante Jamel Debbouze, aquele da Amélie Poulan, cenas de ação muito bem feitas – com bastante sangue, pra quem gosta, fazem deste um bom filme de guerra, nos padrões tradicionais do gênero, mas que consegue contar uma outra história, tão marcante quanto.

Para reforçar suas tropas durante a 2. Guerra Mundial, a França convocava habitantes de suas colônias na África, sempre ressaltando que sacrificar a vida pela ‘pátria-mãe’ era um dever e uma honra e, em sobrevivendo, viveriam todos em paz sob o trinômio Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

E assim, milhares desses soldados embarcaram na aventura e enfrentaram, além das balas inimigas, um exército de preconceito e desilusão. A história acompanha de maneira mais próxima a trajetória de quatro argelinos e todas as agruras enfrentadas pelo grupo. Mesmo entre os companheiros de trincheiras, eram tratados como inferiores, tinham possibilidades limitados de ascensão na carreira militar e, na França onde nunca haviam pisado, foram tratados como bastardos indesejáveis, mesmo tento arriscado suas vidas por aquela terra.

Me chamou muita atenção uma das primeiras cenas do filme, quando um desses soldados comunica à mãe que vai atender ao chamado e se alistar no exército francês, e a justa incompreensão dela com a decisão. E mesmo diante do apelo desesperado da mãe, movido por aquela promessa de um futuro melhor, longe da miséria em que o próprio colonizador o deixara anteriormente, ele segue em frente.

Depois da guerra, e com a independência das colônias, o governo francês cortou as pensões aos ex-combatentes não-franceses. Injustiça só reparada em 2006, com o lançamento do filme. Grande história, desconhecida da grande maioria. Vale a pena conhecer, até pra relembrar que, na guerra, todo mundo sempre perde – uns mais que os outros, e neste caso, com o perdão do trocadilho confuso, estes ‘uns’ eram os ‘outros’, os não-franceses, a colônia…

Diasdegloria

Título original: Indigènes
Origem/Ano: França – 2006
Duração: 128 min.
Direção: Rachid Bouchareb
Roteiro: Rachid Bouchareb e Olivier Lorelle
Sinopse: Em 1943, 130 mil soldados originários das colônias francesas na África foram para a Europa lutar na Segunda Guerra e ajudar a libertar uma pátria-mãe na qual nunca antes haviam estado. ''Dias de Glória'' conta a história de quatro desses homens, desde a sua convocação em seus países de origem até o fim da Guerra. Vencedor do prêmio de melhor ator no Festival de Cannes de 2006, numa premiação coletiva dada a cinco atores principais do filme (que interpretam os quatro soldados, além do comandante do batalhão).

26 de mai. de 2009

Herói por acaso

A pedido, vou começar uma pequena série com filmes franceses, todos eles muito legais. E começamos com este “Herói por acaso”, um filme belíssimo, engraçado e emocionante.

O enredo trata do período de ocupação nazista na França, quando a população se dividia entre colaboracionistas ou não. Batignole, a bem da verdade, não era um nem outro, mas não queria saber de confusão. Até que seu genro, crítico de arte e colaboracionista, denuncia uma família de judeus que vive no apartamento acima do deles. Durante a prisão da família, o filho consegue se esconder e, junto com duas primas órfãs da guerra, acaba entrando na vida do salsicheiro Batignole. Incapaz de entregar as crianças aos nazistas, Monsieur Batignole embarca numa jornada insana para tirá-las do país e levá-las em segurança até a Suíça. E neste trajeto pela libertação das crianças, Batignole acaba libertando-se também da vida modorrenta e opressora que levava em casa, com a família.

O interessante é que, com grandes atuações, especialmente das crianças, e a graça inata de Gérard Junot (que também é o diretor) com aquele jeitão de pastel, o filme fica extremamente leve e divertido, apesar do tema ‘duro’. É bem verdade que segue um pouco a linha dos filmes do Roberto Begnini, como “A Vida é Bela”. Mas isso não chega a ser demérito nenhum, pelo contrário.

Vale o registro da bela fotografia do filme, com cenas fantásticas de Paris e do interior da França.

heroi_por_acaso_aff Título Original: Monsieur Batignole / On pouvait pas savoir
Origem/Ano: França/2002
Duração: 100 min
Direção: Gérard Jugnot
Sinopse: Paris, 1942. O país está ocupado pelos nazistas. O senhor Batignole é dono de uma salsicharia e, tendo lutado na primeira guerra, não quer mais saber de nada do que acontece na vida do país. Passivo, suporta as humilhações de sua arrogante esposa e o anti-semitismo do futuro genro, que já mora em sua casa. Quando o genro, colaboracionista e aproveitador, denuncia a família judia que mora no andar de baixo, o senhor Batignole nada faz. Mas a omissão lhe será jogada na cara por Simon, filho da família denunciada, que conseguiu se esconder dos nazistas. Protegê-lo será a chance de o senhor Batignole se redimir.

11 de mai. de 2009

Uma amizade sem fronteiras

Uma belíssima história de amizade entre um menino francês e um velho imigrante muçulmano na Paris dos anos 60, onde ambos se amparam mutuamente, trocam experiências e ensinamentos, suprem suas carências e crescem juntos. Basicamente é esse o enredo do filme, com uma grande atuação de Omar Sharif.

O filme tem um ritmo leve, com momentos divertidos e outros comoventes. Trata-se de um menino judeu, Momo, entrando na adolescência e vivendo uma fase de descobertas, criado pelo pai completamente relapso, traumatizado por ter sido abandonado pela ex-esposa. Momo conhece Ibrahim, este imigrante argelino, que tem um pequeno armazém em frente à sua casa – o menino vai lá comprar produtos e, por vezes, roubá-los, deixa para o início da relação entre eles…

Com uma atitude diversa da que o menino está habituado, esta relação cresce e Ibrahim passa a assumir, de certa forma, o papel que caberia ao pai na educação do garoto. Essa relação se solidifica, quando o pai do menino também o abandona e ele passa a viver sozinho, vendendo os objetos domésticos – e gastando a grana com as putas da região.

O grande lance do filme está, primeiro, na maneira em que se desenvolve essa relação de afeto entre os dois e nos pequenos detalhes dessa construção, e, depois, na forma como, apesar das diferenças culturais entre eles, seus ensimanentos, baseados no Corão, são absorvidos de maneira suave, sem maiores choques, pelo adolescente ocidental.

Ibrahim repete suas máximas, filosias e regras, e diz ao menino que é isto que está escrito em seu Corão. E no final a gente entende melhor como essa ligação entre eles supera tão facilmente as distâncias culturais. Só pra dar uma pitadinha de beleza: o nome original do filme, em francês, é “Monsieur Ibrahim et les Fleurs du Coran”. Diz muito mais do que “Uma amizade sem fronteiras”.

monsieur_ibrahim

Título Original: Monsieur Ibrahim et les Fleurs du Coran
Duração: 95 minutos
Origem-Ano: França - 2003
Direção: François Dupeyron
Roteiro: François Dupeyron, baseado em livro de Eric-Emmanuel Schmitt
Sinopse: Durante o início da década de 60, Paris, como a maior parte da Europa, era uma explosão de vida. Conforme o velho dava lugar ao novo, tudo estava fluindo na cidade, cheia de energia que prometia mudanças culturais e sociaia. Com esse cenário, em uma vizinhança de trabalhadores, dois personagens distintos - um jovem judeu e um mulçumano idoso - começam uma amizade. Quando encontramos Momo (Pierre Boulanger) ele é um orfão de onze anos embora viva com seu pai, um homem lentamente se deteriorando em uma depressão. Seus únicos amigos são as prostitutas que o tratam com afeição genuína. Momo faz suas compras em uma loja da vizinhança, um lugar escuro e lotado administrado por Ibrahim (Omar Sharif), um homem exótico que vê e sabe mais do que deixa transparecer. Depois que Momo é abandonado por seu pai, Ibrahim se torna o único adulto na vida de Momo. Juntos começam uma jornada que irá mudar suas vidas para sempre.

14 de nov. de 2008

Paris, eu te amo

Ai, ai… Eu também…

Assisti pela segunda vez esse filme, e sempre acabo assim, suspirando no final. Não me entendam mal, não sou daqueles de chorar em cena de novela das oito, mas olhem bem: um filme inteiro falando de amor, em suas mais diversas formas, e ainda por cima tendo Paris como cenário e coadjuvante permanente, merece um bom suspiro, não?

O filme é composto de 18 curtas, de 5 minutos cada, dirigidos por 21 grandes nomes do cinema mundial. Para todos eles, o mesmo tema: Paris e amor. Cada um pegou um dos “arrondissements” ou bairros parisienses, e desenvolveu sua história. Nesse caldeirão entrou comédia e tragédia, alegria e tristeza, amor hetero e homo, carnal e transcedental, perda, solidão, religião, imigração, enfim. A maioria deles é muito legal, alguns fantásticos – o último, pra mim, é dos melhores. Particularmente, um ou outro não me agradou, mas nada que possa se chamar de completamente ruim.

E, além de tudo isso, tem Paris. Só a cidade já ajuda na fotografia de qualquer filme, e a turma ainda se esmerou. Tá tudo bonito demais. Em algumas cenas, a cidade está esplendorosa.

Sei que acabei sendo repetitivo, usando clichês e tudo mais. Sem problemas, nem me desculparei. É que, pra mim, isso é incontestável: história de amor, quando bem contada, é linda demais, e em Paris, fica ainda melhor. Assistam e apaixonem-se.

paris2 Título Original: Paris, Je T'Aime
Duração: 116 minutos
Origem-Ano: França – 2006
Direção: Olivier Assayas (segmento "Quartier des Enfants Rouges"), Frédéric Auburtin e Gérard Depardieu (segmento "Quartier Latin"), Gurinder Chadha (segmento "Quais de Seine"), Sylvain Chomet (segmento "Tour Eiffel"), Joel Coen e Ethan Coen (segmento "Tuileries"), Isabel Coixet (segmento "Bastille"), Wes Craven (segmento "Père-Lachaise"), Alfonso Cuarón (segmento "Parc Monceau"), Christopher Doyle (segmento "Porte de Choisy"), Richard LaGravenese (segmento "Pigalle"), Vincenzo Natali (segmento "Quartier de la Madeleine"), Alexander Payne (segmento "14th Arrondissement"), Bruno Podalydès (segmento "Montmartre"), Walter Salles e Daniela Thomas (segmento "Loin du 16ème"), Olivier Schmitz (segmento "Place des Fêtes"), Nobuhiro Suwa (segmento "Place des Victoires"), Tom Tykwer (segmento "Faubourg Saint-Denis"), Gus Van Sant (segmento "Le Marais") e Emmanuel Benvihy (transições).

11 de nov. de 2008

Truffaut – Série Antoine Doinel

Depois de um longo e tenebroso inverno, estamos de volta. E para compensar a ausência, trago um presente. Vou falar um pouco sobre a fantástica série de filmes do François Truffaut sobre seu personagem predileto, Antoine Doinel. Simplesmente apaixonante. Eu estou particularmente encantado por Truffaut, e depois há outros filmes muito bons dele, que pretendo comentar aqui. Mas pra quem nunca viu nanda dele, esta série é o começo perfeito. Por tudo isso, merece um post especial, com um pouco mais de fotos para ilustrar. Espero que gostem!

Bom, pra começar, o Antoine Doinel era uma espécie de alter ego do próprio Truffaut. Então, tem umas coisinhas sobre ele que vale a truffaut pena contar. O Truffaut teve uma infância e adolescência bem sofrida: nunca conheceu o pai biológico, foi rejeitado pela mãe e criado pelos avós maternos até os 10 anos. Quando a avó morreu, voltou a viver com a mãe e um padastro – que lhe emprestou o sobrenome, mas que ainda o rejeitavam violentamente. Ia mau na escola, até abondoná-la, quando começou a praticar pequenos furtos. Enfim, a essas alturas, já tinha uma paixão muito grande pelo cinema, plantada pela avó falecida, e com 14 anos fundou um cine-clube. Óbvio, o clube não deu certo, mas fez barulho. E um grande crítico e também dono de cine-clube, André Bazin, se sensibilizou com o menino cinéfilo e o ‘adotou’. Virou um tutor intelectual e pai adotivo de Truffaut. Livro daqui, filme dali até que o Truffaut se transformou num dos grandes nomes da Novelle Vague, primeiro como crítico e depois como cineasta, revolucionou o cinema francês e influencia, até hoje, gente no mundo inteiro, com suas obras fantásticas, eternas.

Mas eu comecei falando do Antoine Doinel, que é o personagem – jean1 atenção, não se percam! Um dos primeiros filmes do Truffaut, o primeiro autobiográfico e o que projetou seu nome no mundo, foi o Le 400 Coups, ou Os imcompreendidos - que conta a infância e adolescência do Doinel. Para o papel, ele escalou Jean-Pierre Léaud, então com 14 anos. É claro, a história se repetiu e Léaud transformou-se também em pupilo e meio que filho de Truffaut. E assim o Truffaut seguiu fazendo filmes com o Jean-Pierre por mais 20 anos, com ou sem o Antoine Doinel.

claude-jade2 A série começa com "Os Incompreendidos", seguido de um curta chamado "Antoine et Colette", que compõe o filme "Amor aos 20", uma coletânea de curtas de vários diretores. Depois vem "Beijos Proibidos / Baisers Volés", que apresenta a encantadora Claude Jade, por quem o Truffaut caiu em perdição, largou a mulher milionária e se casou, perdido de amor. jean2Na seqüência, também  com a dupla campeã Jean-Pierre/Claude Jade, "Domicílio Conjugal". A série  encerra com "Amor em Fuga", que traz de volta a não menos linda Collete, de quase 20 anos antes. Todos os filmes são maravilhosos.

antoineetcolette Tudo me encanta nos filmes do Truffaut: os roteiros perfeitos, inteligentes, sensíveis, a narrativa fluente, a fotografia deslumbrante, as trilhas sonoras, uma mais perfeita que a outra, e por aí vai. Dava pra falar muito dele, mas aí entramos em outra seara. Já me estendi demais. Vamos aos filmes.

Ah, pra quem quiser, a série está à venda, foi lançada pela Versátil Home Video. Você encontro os filmes avulsos ou num box, bonitão.

osimcompreendidos Os imcompreendidos 
Título Original:
Le 400 Coups
Origem-ano: França - 1959
Duração: 99 minutos
Sinopse: Este é o primeiro da série e a história dele já está bem contada lá em cima. O Antoine Doinel é maltratado pela mãe e pelo padastro e começa a aprontar deliciosas travessuras na escola - a cena em que a turma sai para um passeio na cidade e, pouco a pouco, todos fogem do professor, é ótima. Apanha da mãe, é expulso, vai para um reformatório, enfim... É a infância do Truffaut retratada em filme. Fantástico. Quem conseguir este DVD que está aí na foto, poderá ver também o curta Antoine e Colette, de 1962. Aqui Doinel volta à Paris para morar sozinho, arruma pequenos bicos, reencontra amigos e se apaixona, por música, arte e por Colette. É o início da juventudade e da saga de amores de Doinel.

beijosroubados Beijos Proibidos
Título Original: Baisers Volés
Origem-ano: França - 1968
Duração: 87 minutos
Sinopse: Neste filme, Antoine está apaixonado por Cristine Darbon, a bela Claude Jade, e além disso tenta se estabelecer profissionalmente - como guarda noturno, detetive particular e vendedor de sapatos. Aqui ele descobre o amor e fica explícito seu eterno desiquilíbrio, cheio de graça, emocional e profissional. As trapalhadas de Doinel são divertidíssimas. Um lance bacana que já começou a aparecer no curta anterior e fica mais evidente aqui é que o Antoine sempre se apaixona não só pela mulher, mas principalmente pela família.

domicilio Domicílio Conjugal
Título Original:
Domicile Conjugal
Origem-ano: França - 1970
Duração: 94 minutos
Sinopse: Antoine casa-se com Cristine e vivem juntos as delícias e frustações do casamento. Antoine ama, briga, tem um filho, trai e, depois de tudo, ama de novo, mais ainda. Vemos presente a eterna inquietude de Antoine, que em determinado ponto atinge Cristine também. Este filme é maravilhoso, um dos meus prediletos de toda a série.

amoremfuga Amor em Fuga
Título Original:
L'amour en fuite
Origem-ano: França - 1979
Duração: 91 minutos
Sinopse: Aqui a série chega ao fim. Depois de terminar a relação com Cristine, Antoine, com 35 anos, tem uma nova paixão, Sabine. Sua relação com ela também está em crise, com surge Colette. Eles se encontram acidentalmente e voltam a conversar - Colette havia descoberto o livro escrito por Antoine, que passava a limpo sua infância, seus amores, sua vida. E por uma boa parte do filme, por meio de um animado bate-papo entre Cristine e Colette, toda história de Antoine Doinel é revista, com belas cenas de todos os filmes anteriores. E justamente quando se evidencia toda a confusão emocional e a instabilidade com as mulheres de Doinel, ele encontra seu grande amor, numa história de paixão à primeira vista muito bem bolada. Este filme é ótimo, encerra a série de forma perfeita, mas ainda nos deixa com uma pulga atrás da orelha, imaginando o que Antoine vai aprontar da próxima vez…

5 de out. de 2008

Bonecas Russas

Como toda sequência, o único problema aqui é que você assiste buscando encontrar o que tinha visto no primeiro. E como esse filme não é "Rambo" nem "X-Men", você não vai encontrar a mesma coisa. Mas, sem dúvida, é outro grande filme.

Se passa cinco anos depois do "Albergue", o protagonista virou um escritor, mas que ainda sonha em escrever suas próprias histórias. Enquanto isso, vai aceitando trabalhos que lhe pagam, mas não lhe proporcionam tanto prazer. Em um destes, volta a ter contato com uma das antigas colegas  de albergue, a inglesinha Wendy, por quem ele tinha uma queda. E a história segue, mostrando como caminhou a vida da maioria deles...

A receita básica de graça e e sensibilidade para explorar os dramas pessoais está mantida, com a mesma maestria. Com uma fotografia belíssima, a câmera passeia por cenários em Paris, Londres e São Petersburgo, com imagens deslumbrantes.

bonecas-russas-poster02-774975 Título Original: Les Poupées Russes
Duração: 125 minutos
Origem-Ano: França – Inglaterra : 2005
Direção e roteiro: Cédric Klapisch
Fotografia: Dominique Colin 
Sinopse: Agora com trinta e poucos anos, Xavier (Romain Duris) trabalha como escritor de telenovelas e jornalista free-lancer, mas sonha poder ser livre para escrever suas próprias histórias. Ele continua em contato com sua ex-namorada Martine (Audrey Tautou), agora mãe solteira. Dividido entre Wendy (Kelly Reilly), a amiga britânica, e uma modelo, Xavier conta com a ajuda de Isabelle (Cécile d

Albergue Espanhol

Depois do "Tapas", me lembrei de alguns belos filmes que tinham a Espanha como cenário. Um deles, que já se tornou clássico, é o "Albergue Espanhol" - na verdade, uma co-produção França - Espanha.

A história é bem simples: em estudante de economia recebe uma tentadora proposta de emprego na burocracia francesa, só que para isso precisa saber espanhol. Resolve entrar para um famoso programa de intercâmbio e passar um período em Barcelona. Chegando lá, a convivência com as outras pessoas e com si mesmo acabam transformando sua vida. Tá na sinopse, lá embaixo.

Ok, até aí nenhuma grande novidade. Mas o interessante está no que acontece no meio, no jeito como as coisas se desenrolam e na graça e sensibilidade que o diretor usa para mostrá-las. O cara era extremanente reprimido - pela mãe, pela namorada (ela mesmo, a Amélie), pelo trabalho, por tudo. Chega cheio de medos e totalmente inexperinente na Espanha, em uma Barcelona efervescente e, depois de um pequeno período morando com um casal francês, Xavier consegue uma vaga nessa casa, alugada por estudantes como ele, mas de várias partes do mundo. Tem holandês, alemão, inglês, belga, e por aí vai. Ai, que frase batida que vou cometer, mas vá lá: ali ele aprende não só espanhol, mas lições que transformarão sua vida... (perdoem, não resisti).

Todas as diferenças entre eles e as situções em que se envolvem são muito engraçadas, o elenco está bem legal e, como se não bastasse, o filme mostra bastante Barcelona, que está belíssima. No próximo post, falo da sequência dele, o Bonecas Russas.

 Aubergeespagnole_2002_poster Título Original: L'Aubergue Spagnole
Duração: 115 minutos
Origem-Ano: França – Espanha : 2002
Direção e roteito: Cédric Klapish
Fotografia: Dominique Colin
Sinopse: Xavier (Romain Duris) tem 25 anos e está terminando o curso de Economia. Um amigo de seu pai lhe oferece um emprego no Ministério da Fazenda, mas para assumir o posto o rapaz precisa saber a língua espanhola. Ele decide acabar seus estudos em Barcelona, para aprender a língua. Para isso vai ter que deixar Martine (Audrey Tatou), sua namorada há quatro anos. Ao chegar em Barcelona Xavier procura um apartamento no centro da cidade e acha um em que deve morar com sete estudantes, todos estrangeiros. Com eles Xavier vai descobrir a autonomia e a sexualidade e iniciar a vida adulta.

16 de set. de 2008

Feliz Natal

Ótimo filme. Quando um tenor alemão é convocado para lutar na guerra, sua namorada, também cantora de ópera, faz de tudo para vê-lo na noite de natal, no front conflagrado, onde estão também os fronts dos franceses e dos escoseces – os três lutando entre si. Quando se juntam, tentam, com sua arma mais poderoso, trazer algum alento aos soldados: cantam, uma música de natal, à capela, belíssima.

É a música que desperta uma fagulha de humanidade, que rapidamente se incendeia, transformando aquela noite numa grande festa, onde cada um deles troca presentes, impressões e experiências. E acabam, de certa forma, criando laços mais fortes e compreendendo a estupidez da guerra.

Além disso, ficam latentes as diferenças culturais entre estes povos, em algumas cenas engraçadíssimas. Mas tudo isso – as diferenças culturais e a guerra – pode ser superado.

Li em algum lugar que é uma história real. Se foi mesmo, melhor ainda – são as melhores. Mas mesmo se não, é uma grande história.

feliz-natal-poster Título Original: Joyeux Noël
Duração: 116 minutos
Origem-Ano: França/Alemanha/ Inglaterra/Romênia : 2005
Direção e roteiro: Christian Carion
Sinopse: Natal de 1914, em plena 1ª Guerra Mundial. A neve e presentes da família e do exército ocupam as trincheiras francesas, escocesas e alemãs, envolvidas no conflito. Durante a noite os soldados saem de suas trincheiras e deixam seus rifles de lado, para apertar as mãos do inimigo e confraternizar o Natal. É o suficiente para mudar a vida de um padre anglicano, um tenente francês, um grande tenor alemão e sua companheira, uma soprano.
Site Oficial: www.merrychristmas-themovie.com

4 de set. de 2008

Você é tão bonito

Muito bacana. O cara – Michel Blanc, numa atuação fantástica - é um daqueles fazendeiros do interior da França, com a personalidade repleta de todos os esteriótipos dos franceses do interior, somados ao seu perfil extremamente introspectivo. A história está lá embaixo – ele na verdade não quer uma esposa, mas simplesmente alguém que o ajude nas tarefas da fazenda, depois da morte da sua mulher. E quando descobre essa agência de casamentos com mulheres romenas, vê a oportunidade perfeita. E mais barata, obviamente.

Por exemplo, ele cria uma história maluca para a família, com a intenção de esconder o ‘método’ utilizado para conhecer a nova esposa, e se mete um uma série de embaraços por causa disso, todos engraçadíssimos. Por outro lado, é interessante ver a situação das ‘noivas’ romenas, que, fugindo dos restos do comunismo, fazem de tudo para conseguir um marido francês.

Basicamente, é uma comédia romântica, com momentos muito engraçados e outros comoventes. Segue o padrão da categoria, mas de forma inteligente e honesta. Gostei bastante.

Você é tão bonito  
Jevoustrovetresbeau Título Original: Je vous trouve très beau
Direção:  Isabelle Mergault
País:  França - 2005
Duração: 95 minutos
Sinopse: Comédia sobre um fazendeiro viúvo, que ao procurar por uma esposa numa agência de matrimônio, recebe a sugestão de ir a Romênia, onde muitas mulheres sonham em se casar com um francês para melhorar de vida. Ele só precisa de alguém que possa ajudá-lo a manter a fazenda em perfeito funcionamento. Ao chegar lá, porém, ele conhece uma bela jovem, cujas "experiências" não são exatamente as que ele almejava e juntos eles atravessar grandes experiências.

5 de ago. de 2008

A culpa é do Fidel

Só para entender melhor, já que a sinopse vai abaixo, a diretora e roteirista do filme, Julie Gravas, é filha do cineasta grego Costa-Gravas, conhecido por suas obras politicamente engajadas. Então o filme é um retrato da sua infância, de como ela viu as coisas se transformando ao seu redor, sem entender bem o que estava acontecendo. E mesmo que entendesse, transformações políticas não importam nada no universo de uma criança.

A menina é uma graça, e fica possessa quando perde a casa grande onde morava por um pequeno apartamento, perde a babá cubana que cuidava dela – e que vive dizendo que tudo que acontece de ruim no mundo é culpa do Fidel – sai das aulas de religião e é, de certa forma, marginalizada por suas colegas. É claro que, no meio do seu ‘sofrimento’, ela acaba descobrindo um monte de conceitos novos, que mudarão sua forma de ver e se relacionar com o mundo. Além disso, expõe propositalmente alguns estereótipos esquerdóides típicos da época, uma patrulha ideológica bem doida, mas que tinha que ser vivida plenamente.

Recentemente, li no livro do Zuenir Ventura – O que fizemos de nós – que sua filha recomendou que ele assistisse, pra entender como ela se sentiu naquele período. Para nós, dá pra ter uma idéia bem interessante de como coisas simples afetam profundamente a cabeça de uma criança.

A Culpa é do Fidel  
fidel Título Original:
La Faute à Fidel
Duração: 99 minutos
Origem: França/Itália: 2006
Direção: Julie Gavras
Roteiro: Julie Gavras, com colaboração de Arnaud Cathrine, baseado em livro de Domitilla Calamai
Sinopse: Anna de la Mesa (Nina Kervel-Bey) tem 9 anos, mora em Paris e leva uma vida regrada e tranqüila, dividida entre a escola católica e o entorno familiar. O ano é 1970 e a prisão e morte do seu tio espanhol, um comunista convicto, balança a família. Ao voltar de uma viagem ao Chile, logo após a eleição de Salvador Allende, os pais de Anna estão diferentes e a vida familiar muda por completo: engajamento político, mudança para um apartamento menor, trocas constantes de babás, visitas inesperadas de amigos estranhos e barbudos. Assustada com essa nova realidade, Anna resiste à sua maneira. Aos poucos, porém, realiza uma nova compreensão do mundo.

Conversas com meu jardineiro

Uma delícia! Um filme francês que conta, com muita graça, a história de um renomado pintor francês que, vivendo uma crise existencial e profissional, retorna às suas origens, à casa de sua infância, onde reencontra um antigo colega de escola. Este, interpretado com maestria por Jean-Oierre Darroussin, se oferece para a vaga de jardineiro na casa do pintor, o não menos brilhante Daniel Auteuil. A partir daí, ele revê conceitos equivocados cultivados por toda a vida - sobre arte, relacionamento, beleza - e descobre, na simplicidade do jardineiro, o valor das pequenas coisas, ou melhor, das coisas que realmente importam. Leve, engraçado e belo, belíssimo.

conversas-com-meu-jardineiro-poster01t Título Original: Dialogue Avec Mon Jardinier
Gênero: Comédia
Duração: 109 minutos
Origem: França – 2007
Direção: Jean Becker
Roteiro: Jean Becker, Jean Cosmos e Jacques Monnet, baseado em livro de Henri Cueco
Sinopse: Um pintor bem sucedido (Daniel Auteuil) deixa Paris para retornar à pequena cidade onde nasceu, há mais de 50 anos. Sua casa antiga está abandonada, cercada de plantas e mato. Ele decide contratar um jardineiro (Jean-Oierre Darroussin) para lhe ajudar na limpeza. Para sua surpresa, o novo jardineiro é um velho amigo de colégio, que o pintor não via há décadas. Logo uma amizade madura nasce entre os dois, permeada pelas diferentes experiências de vida de cada um.