14 de nov. de 2008

Paris, eu te amo

Ai, ai… Eu também…

Assisti pela segunda vez esse filme, e sempre acabo assim, suspirando no final. Não me entendam mal, não sou daqueles de chorar em cena de novela das oito, mas olhem bem: um filme inteiro falando de amor, em suas mais diversas formas, e ainda por cima tendo Paris como cenário e coadjuvante permanente, merece um bom suspiro, não?

O filme é composto de 18 curtas, de 5 minutos cada, dirigidos por 21 grandes nomes do cinema mundial. Para todos eles, o mesmo tema: Paris e amor. Cada um pegou um dos “arrondissements” ou bairros parisienses, e desenvolveu sua história. Nesse caldeirão entrou comédia e tragédia, alegria e tristeza, amor hetero e homo, carnal e transcedental, perda, solidão, religião, imigração, enfim. A maioria deles é muito legal, alguns fantásticos – o último, pra mim, é dos melhores. Particularmente, um ou outro não me agradou, mas nada que possa se chamar de completamente ruim.

E, além de tudo isso, tem Paris. Só a cidade já ajuda na fotografia de qualquer filme, e a turma ainda se esmerou. Tá tudo bonito demais. Em algumas cenas, a cidade está esplendorosa.

Sei que acabei sendo repetitivo, usando clichês e tudo mais. Sem problemas, nem me desculparei. É que, pra mim, isso é incontestável: história de amor, quando bem contada, é linda demais, e em Paris, fica ainda melhor. Assistam e apaixonem-se.

paris2 Título Original: Paris, Je T'Aime
Duração: 116 minutos
Origem-Ano: França – 2006
Direção: Olivier Assayas (segmento "Quartier des Enfants Rouges"), Frédéric Auburtin e Gérard Depardieu (segmento "Quartier Latin"), Gurinder Chadha (segmento "Quais de Seine"), Sylvain Chomet (segmento "Tour Eiffel"), Joel Coen e Ethan Coen (segmento "Tuileries"), Isabel Coixet (segmento "Bastille"), Wes Craven (segmento "Père-Lachaise"), Alfonso Cuarón (segmento "Parc Monceau"), Christopher Doyle (segmento "Porte de Choisy"), Richard LaGravenese (segmento "Pigalle"), Vincenzo Natali (segmento "Quartier de la Madeleine"), Alexander Payne (segmento "14th Arrondissement"), Bruno Podalydès (segmento "Montmartre"), Walter Salles e Daniela Thomas (segmento "Loin du 16ème"), Olivier Schmitz (segmento "Place des Fêtes"), Nobuhiro Suwa (segmento "Place des Victoires"), Tom Tykwer (segmento "Faubourg Saint-Denis"), Gus Van Sant (segmento "Le Marais") e Emmanuel Benvihy (transições).

13 de nov. de 2008

Dois perdidos numa noite suja

Gosto muito desse filme. O pano de fundo da história de “Dois Perdidos” é bem conhecido: dois imigrantes brasileiros ralando pra 'fazer a América' e passando os maiores apertos e dificuldades. Até aí, nada demais. O legal desse filme é o que rola entre eles, as conversas quando estão em casa - na verdade, uma espécie de galpão, aqueles estereótipos de fábrica abandonada, com tubulação aparente e tudo mais, bem caótico, como é toda a relação desses dois, tentando sobreviver em Nova York, tentando falar, tentando amar.

Vou explica melhor: o filme é uma adaptação do José Jofily (o diretor do Pixote) para a peça do Plínio Marcos, de 1966. O autor ficou conhecido por seu teatro marginal - Navalha na Carne, inicialmente censurada pela ditadura, gerou uma polêmica gigante. Para adaptar a peça pros dias de hoje, o diretor trouxe os dois pros EUA, acentou algumas tons de marginalidade, acrescentou elementos como a sexualidade de Paco, misógena e sensual – no original, era um homem, e conseguiu fazer tudo isso com uma delicadeza fantástica, bem diferente do Pixote, que era mais agressivo, direto.

Aí temos o Roberto Bontempo interpretando com perfeição o Tonho, um mineiro tímido, inocente, sincero, trabalhador, meio com cara de bobo, e a Débora Falabella interpretando Paco, inteligente, arrojada, misteriosa, violenta. Só um drops do encontro deles: o Paco é uma menina, que se passa por menino, e sobrevive fazendo sexo oral em velhos americanos vidrados em garotinhos. Um deles descobre, em um banheiro público, que trata-se de uma menina e tenta agredir Paco. Tonho limpava o banheiro e quando viu a briga, nocauteou o gringo.

A partir daí, começa uma relação conturbada, em que os traços psicológicos dos dois se misturam às dificuldades de imigrante, de duro, fodido, e eles passam a se machucar mutuamente, ao mesmo tempo em que desenvolvem um amor enorme. E inviável. Tudo ali é inviável.

Pra fechar a conta, uma belíssima canção, feita para o filme, pelo Arnaldo Antunes. Maravilhoso.

2-perdidos-numa-noite-suja-poster01 Direção: José Joffily
Roteiro: Paulo Halm
Fotografia: Nonato Estrela
Origem/Ano: Brasil - 2002
Duração: 100 minutos
Sinopse: Dois Perdidos Numa Noite Suja narra o encontro explosivo de dois brasileiros que, como tantos outros imigrantes dos anos 90, trocaram a falta de perspectiva do país pela ilusão do sonho americano. Depois de um encontro casual, Tonho convida Paco para dividir um galpão abandonado. Tonho é tímido, humilde, sincero. Paco é misteriosa, arrojada, agressiva. Fora a condição de estrangeiros, aparentemente não têm nada em comum. Ele está cansado de subempregos e quer voltar para o Brasil. Ela quer virar uma pop-star e vender mais discos que a Madonna. Por necessidade, falta de opção e solidão Tonho e Paco passam a viver um cotidiano infernal, fruto de ressentimento, frustrações, violência e uma inusitada história de amor. A convivência forçada desses dois imigrantes à margem da sociedade irá revelar de forma crua e despudorada a falência da esperança de uma vida mais digna. O desespero crescente leva Paco e Tonho a aplicarem golpes cada vez mais arriscados. A diferença de temperamentos e objetivos provoca confrontos cada vez mais violentos com um final tão doloroso quanto inesperado.

11 de nov. de 2008

Truffaut – Série Antoine Doinel

Depois de um longo e tenebroso inverno, estamos de volta. E para compensar a ausência, trago um presente. Vou falar um pouco sobre a fantástica série de filmes do François Truffaut sobre seu personagem predileto, Antoine Doinel. Simplesmente apaixonante. Eu estou particularmente encantado por Truffaut, e depois há outros filmes muito bons dele, que pretendo comentar aqui. Mas pra quem nunca viu nanda dele, esta série é o começo perfeito. Por tudo isso, merece um post especial, com um pouco mais de fotos para ilustrar. Espero que gostem!

Bom, pra começar, o Antoine Doinel era uma espécie de alter ego do próprio Truffaut. Então, tem umas coisinhas sobre ele que vale a truffaut pena contar. O Truffaut teve uma infância e adolescência bem sofrida: nunca conheceu o pai biológico, foi rejeitado pela mãe e criado pelos avós maternos até os 10 anos. Quando a avó morreu, voltou a viver com a mãe e um padastro – que lhe emprestou o sobrenome, mas que ainda o rejeitavam violentamente. Ia mau na escola, até abondoná-la, quando começou a praticar pequenos furtos. Enfim, a essas alturas, já tinha uma paixão muito grande pelo cinema, plantada pela avó falecida, e com 14 anos fundou um cine-clube. Óbvio, o clube não deu certo, mas fez barulho. E um grande crítico e também dono de cine-clube, André Bazin, se sensibilizou com o menino cinéfilo e o ‘adotou’. Virou um tutor intelectual e pai adotivo de Truffaut. Livro daqui, filme dali até que o Truffaut se transformou num dos grandes nomes da Novelle Vague, primeiro como crítico e depois como cineasta, revolucionou o cinema francês e influencia, até hoje, gente no mundo inteiro, com suas obras fantásticas, eternas.

Mas eu comecei falando do Antoine Doinel, que é o personagem – jean1 atenção, não se percam! Um dos primeiros filmes do Truffaut, o primeiro autobiográfico e o que projetou seu nome no mundo, foi o Le 400 Coups, ou Os imcompreendidos - que conta a infância e adolescência do Doinel. Para o papel, ele escalou Jean-Pierre Léaud, então com 14 anos. É claro, a história se repetiu e Léaud transformou-se também em pupilo e meio que filho de Truffaut. E assim o Truffaut seguiu fazendo filmes com o Jean-Pierre por mais 20 anos, com ou sem o Antoine Doinel.

claude-jade2 A série começa com "Os Incompreendidos", seguido de um curta chamado "Antoine et Colette", que compõe o filme "Amor aos 20", uma coletânea de curtas de vários diretores. Depois vem "Beijos Proibidos / Baisers Volés", que apresenta a encantadora Claude Jade, por quem o Truffaut caiu em perdição, largou a mulher milionária e se casou, perdido de amor. jean2Na seqüência, também  com a dupla campeã Jean-Pierre/Claude Jade, "Domicílio Conjugal". A série  encerra com "Amor em Fuga", que traz de volta a não menos linda Collete, de quase 20 anos antes. Todos os filmes são maravilhosos.

antoineetcolette Tudo me encanta nos filmes do Truffaut: os roteiros perfeitos, inteligentes, sensíveis, a narrativa fluente, a fotografia deslumbrante, as trilhas sonoras, uma mais perfeita que a outra, e por aí vai. Dava pra falar muito dele, mas aí entramos em outra seara. Já me estendi demais. Vamos aos filmes.

Ah, pra quem quiser, a série está à venda, foi lançada pela Versátil Home Video. Você encontro os filmes avulsos ou num box, bonitão.

osimcompreendidos Os imcompreendidos 
Título Original:
Le 400 Coups
Origem-ano: França - 1959
Duração: 99 minutos
Sinopse: Este é o primeiro da série e a história dele já está bem contada lá em cima. O Antoine Doinel é maltratado pela mãe e pelo padastro e começa a aprontar deliciosas travessuras na escola - a cena em que a turma sai para um passeio na cidade e, pouco a pouco, todos fogem do professor, é ótima. Apanha da mãe, é expulso, vai para um reformatório, enfim... É a infância do Truffaut retratada em filme. Fantástico. Quem conseguir este DVD que está aí na foto, poderá ver também o curta Antoine e Colette, de 1962. Aqui Doinel volta à Paris para morar sozinho, arruma pequenos bicos, reencontra amigos e se apaixona, por música, arte e por Colette. É o início da juventudade e da saga de amores de Doinel.

beijosroubados Beijos Proibidos
Título Original: Baisers Volés
Origem-ano: França - 1968
Duração: 87 minutos
Sinopse: Neste filme, Antoine está apaixonado por Cristine Darbon, a bela Claude Jade, e além disso tenta se estabelecer profissionalmente - como guarda noturno, detetive particular e vendedor de sapatos. Aqui ele descobre o amor e fica explícito seu eterno desiquilíbrio, cheio de graça, emocional e profissional. As trapalhadas de Doinel são divertidíssimas. Um lance bacana que já começou a aparecer no curta anterior e fica mais evidente aqui é que o Antoine sempre se apaixona não só pela mulher, mas principalmente pela família.

domicilio Domicílio Conjugal
Título Original:
Domicile Conjugal
Origem-ano: França - 1970
Duração: 94 minutos
Sinopse: Antoine casa-se com Cristine e vivem juntos as delícias e frustações do casamento. Antoine ama, briga, tem um filho, trai e, depois de tudo, ama de novo, mais ainda. Vemos presente a eterna inquietude de Antoine, que em determinado ponto atinge Cristine também. Este filme é maravilhoso, um dos meus prediletos de toda a série.

amoremfuga Amor em Fuga
Título Original:
L'amour en fuite
Origem-ano: França - 1979
Duração: 91 minutos
Sinopse: Aqui a série chega ao fim. Depois de terminar a relação com Cristine, Antoine, com 35 anos, tem uma nova paixão, Sabine. Sua relação com ela também está em crise, com surge Colette. Eles se encontram acidentalmente e voltam a conversar - Colette havia descoberto o livro escrito por Antoine, que passava a limpo sua infância, seus amores, sua vida. E por uma boa parte do filme, por meio de um animado bate-papo entre Cristine e Colette, toda história de Antoine Doinel é revista, com belas cenas de todos os filmes anteriores. E justamente quando se evidencia toda a confusão emocional e a instabilidade com as mulheres de Doinel, ele encontra seu grande amor, numa história de paixão à primeira vista muito bem bolada. Este filme é ótimo, encerra a série de forma perfeita, mas ainda nos deixa com uma pulga atrás da orelha, imaginando o que Antoine vai aprontar da próxima vez…

5 de out. de 2008

Elsa e Fred

Pegue uma belíssima história de amor - mas daquelas boas, que a gente fica torcendo pros dois ficarem juntinhos e felizes para sempre. Agora tire dela tudo o que for de convencional, brega, besta, enfim, todos os esteriótipos. Adicione muito humor, sinceridade, emoção, além de uns 60 anos de idade ao que você imaginava para os protagonistas. Coloque tudo em cenários deslumbrantes, como Madrid e Roma - aliás, Roma vestida pra festa, em dia de gala. Pronto, agora já podemos começar a falar de Elsa e Fred.

Assim como o Fred, que era um velho amargurado e ranzinza, a gente também acaba se apaixonando pela Elsa, que na flor de seus cerca de 80 anos, é espevitada, bagunceira, mentirosa, mas, acima de tudo, extremamente divertida e ainda sonhadora. Ela acaba remexendo completamente a vida do Fred, que se deixa levar por suas idéias e embarca nesta aventura romântica, quando achava que seu destino era esperar sentado a morte chegar.

Uma das coisas mais bacanas deste filme é que, apesar de explorar um tema que não é novo e é carregado de esteriótipos, o diretor consegue encontrar ângulos completamente diferentes, sem que pareçam falsos demais, e ao mesmo tempo foge de todos os lugares-comuns.

Não há como sair incólume deste filme, sem uma risada, sem uma lágrima, sem um momento de reflexão, sem os olhos brilharem ao ver a Fontana di Trevi...

Assistam ao trailler aqui.

elsa-e-fred-poster01 Título Original: Elsa y Fred
Duração: 108 minutos
Origem-Ano: Espanha – Argentina : 2005
Direção: Marcos Carnevale
Roteiro: Marcos Carnevale, Marcela Guerty e Lily Ann Martin
Produção: José Antonio Félez
Música: Lito Vitale
Fotografia: Juan Carlos Gómez
Sinopse: Uma incomum e divertida história de amor. Fred é um senhor recém viúvo e apático que vê a sua vida ser completamente transformada ao conhecer a extravagante Elsa, uma inquietante senhora com espírito jovial e aventureiro. Ela é uma mulher de 83 anos que sonha em conhecer Roma e ele é um homem de 80 anos que começa a viver a vida.

Bonecas Russas

Como toda sequência, o único problema aqui é que você assiste buscando encontrar o que tinha visto no primeiro. E como esse filme não é "Rambo" nem "X-Men", você não vai encontrar a mesma coisa. Mas, sem dúvida, é outro grande filme.

Se passa cinco anos depois do "Albergue", o protagonista virou um escritor, mas que ainda sonha em escrever suas próprias histórias. Enquanto isso, vai aceitando trabalhos que lhe pagam, mas não lhe proporcionam tanto prazer. Em um destes, volta a ter contato com uma das antigas colegas  de albergue, a inglesinha Wendy, por quem ele tinha uma queda. E a história segue, mostrando como caminhou a vida da maioria deles...

A receita básica de graça e e sensibilidade para explorar os dramas pessoais está mantida, com a mesma maestria. Com uma fotografia belíssima, a câmera passeia por cenários em Paris, Londres e São Petersburgo, com imagens deslumbrantes.

bonecas-russas-poster02-774975 Título Original: Les Poupées Russes
Duração: 125 minutos
Origem-Ano: França – Inglaterra : 2005
Direção e roteiro: Cédric Klapisch
Fotografia: Dominique Colin 
Sinopse: Agora com trinta e poucos anos, Xavier (Romain Duris) trabalha como escritor de telenovelas e jornalista free-lancer, mas sonha poder ser livre para escrever suas próprias histórias. Ele continua em contato com sua ex-namorada Martine (Audrey Tautou), agora mãe solteira. Dividido entre Wendy (Kelly Reilly), a amiga britânica, e uma modelo, Xavier conta com a ajuda de Isabelle (Cécile d

Albergue Espanhol

Depois do "Tapas", me lembrei de alguns belos filmes que tinham a Espanha como cenário. Um deles, que já se tornou clássico, é o "Albergue Espanhol" - na verdade, uma co-produção França - Espanha.

A história é bem simples: em estudante de economia recebe uma tentadora proposta de emprego na burocracia francesa, só que para isso precisa saber espanhol. Resolve entrar para um famoso programa de intercâmbio e passar um período em Barcelona. Chegando lá, a convivência com as outras pessoas e com si mesmo acabam transformando sua vida. Tá na sinopse, lá embaixo.

Ok, até aí nenhuma grande novidade. Mas o interessante está no que acontece no meio, no jeito como as coisas se desenrolam e na graça e sensibilidade que o diretor usa para mostrá-las. O cara era extremanente reprimido - pela mãe, pela namorada (ela mesmo, a Amélie), pelo trabalho, por tudo. Chega cheio de medos e totalmente inexperinente na Espanha, em uma Barcelona efervescente e, depois de um pequeno período morando com um casal francês, Xavier consegue uma vaga nessa casa, alugada por estudantes como ele, mas de várias partes do mundo. Tem holandês, alemão, inglês, belga, e por aí vai. Ai, que frase batida que vou cometer, mas vá lá: ali ele aprende não só espanhol, mas lições que transformarão sua vida... (perdoem, não resisti).

Todas as diferenças entre eles e as situções em que se envolvem são muito engraçadas, o elenco está bem legal e, como se não bastasse, o filme mostra bastante Barcelona, que está belíssima. No próximo post, falo da sequência dele, o Bonecas Russas.

 Aubergeespagnole_2002_poster Título Original: L'Aubergue Spagnole
Duração: 115 minutos
Origem-Ano: França – Espanha : 2002
Direção e roteito: Cédric Klapish
Fotografia: Dominique Colin
Sinopse: Xavier (Romain Duris) tem 25 anos e está terminando o curso de Economia. Um amigo de seu pai lhe oferece um emprego no Ministério da Fazenda, mas para assumir o posto o rapaz precisa saber a língua espanhola. Ele decide acabar seus estudos em Barcelona, para aprender a língua. Para isso vai ter que deixar Martine (Audrey Tatou), sua namorada há quatro anos. Ao chegar em Barcelona Xavier procura um apartamento no centro da cidade e acha um em que deve morar com sete estudantes, todos estrangeiros. Com eles Xavier vai descobrir a autonomia e a sexualidade e iniciar a vida adulta.

2 de out. de 2008

Tapas

Muito legal este filme. Bem despretencioso, trata do cotidiano de alguns personagens da periferia de Barcelona, que por uma razão ou outra, têm suas vidas entrelaçadas. Em resumo, como elas se relacionam com o amor, com a solidão, com a vida e com os outros.

Segue, de certa forma, o caminho dos italianos “Pão e Tulipas” e “Ágata e a Tempestade”, com a diferença que estes têm focos mais bem definidos – a mulher, separações, enfim.

Mas o filme não deixa nada a desejar, é divertimento da melhor qualidade – um pouco de comédia, um pouco de tragédia, e o dia-a-dia correndo no meio. Como a vida…

Título Original: Tapas
Duração: 94 minutos
Origem-Ano: Espanha : 2005
Site Oficial: www.tapaslapelicula.com
Direção e roteiro: José Corbacho e Juan Cruz
Fotografia: Guillermo Canillo 
tapas-poster01 Sinopse: Cinco histórias se entrelaçam no bairro de uma grande cidade. Cinco mundos são vistos pelo cotidiano das ruas, do bar, das lojas e do mercado, que mostram as inquietações e esperanças de cada indivíduo. Mariano (Alberto de Mendoza) e Conchi (Maria Galiana) são dois aposentados que temem  a solidão e as enfermidades. Raquel (Elvira Mínguez), uma mulher de meia-idade, vive um caso de amor pela internet. César (Rubén Ochandiano) e Opo (Darío Paso) são dois jovens de futuro incerto, que trabalham no supermercado e planejam juntos suas férias. Lolo (Ángel de Andrés López) é dono de um bar e tem sua vida mudada a partir de sua relação com Mao (Alberto Jo Lee), o novo cozinheiro. Em cada uma dessas histórias há segredos e responsabilidades a assumir.

18 de set. de 2008

Ágata e a Tempestade

Na seqüencia do “Pão e tulipas”, vamos à outro filme do mesmo diretor, o italiano Sílvio Soldini. Que delícia é este “Ágata e a tempestade”!

Não sei, me parece que o diretor tem uma queda – e um talento – para interpretação da alma feminina. O faz com maestria.

O filme trata, de uma forma muito especial, de pessoas que vivem sua vida pela metade – e o faz por várias alegorias, sinais (uma paraplégica, uma que ama um cara, mas ele é casado, outro que descobre, depois de adulto, que tem um irmão e não é filho de quem pensava ser, e por aí vai). Mas faz tudo isso com muito leveza e humor.

Mais uma vez, o diretor usa e abusa da fotografia, belíssima e extremamente colorida.

Quem já assistiu ao Pão e Tulipas, vai adorar. Quem não assistiu, alugue logo dos dois. Vai gostar ainda mais!!

Título original: Ágata e La Tempesta
Origem/Ano: Itália – Suiça - Inglaterra : 2004
Duração: 118 min
Direção: Silvio Soldini
agatalatempesta Sinopse: Um clima surreal percorre a vida de Ágata (Licia Maglietta, de Pão e Tulipas) uma dona de livraria em Gênova capaz de prescrever livros aos clientes como remédios. Dona de uma intensa energia, não só no sentido abstrato, ela é capaz de literalmente provocar curto-circuitos e queimar lâmpadas de casas e automóveis à sua passagem. Uma personalidade assim candente põe a seus pés homens como Nico, seu namorado 13 anos mais jovem do que ela, e também o irmão gêmeo dele, o que provoca algumas confusões. O clima de perplexidade se completa quando Ágata descobre que Gustavo, que sempre pensou que era seu irmão, na verdade é irmão de outra pessoa, o vendedor-viajante Romeo. Neste clima de ambigüidade e redescoberta de tudo, Ágata põe à prova seus conceitos e sua atitude diante da vida.

Pão e Tulipas

Esta é uma bela comédia romântica italiana, com uma vantagem competitiva praticamente insuperável: é quase todo rodado em Veneza. Juro que, só por isso, já valeria a pena assistir. Mas há mais, muito mais.

Abre parênteses: minha mulher sempre adorou comédias românticas. Particularmente, nunca tive lá grandes quedas pelo gênero. Ultimamente assistimos uns pastelões americanos que nos deixaram ainda mais traumatizados. Tenham certeza, não é isso que encontrarão neste filme. Humor e romance, aos montes. Pastelão, jamais. Fecha parênteses.

A sinpose – bem completinha, aliás – está logo aqui embaixo, então não vou falar muito da história. O filme é engraçadíssimo, mas não há nenhum atuação, no núcleo central, obviamente, que se acentue demais sobre as outras. Estão todos muito bem. O diretor conseguiu aliar com muito harmonia momentos de muito humor – as perseguições furadas do pretenso detetive – com a reflexão sobre a situação de Rosalba e de cada um dos personagens que passam a orbitar nessa ‘retomada’ no rumo de sua vida.

E recomeçar em Veneza, meus caros, é sempre um belo recomeço…

paoetulipas Título Original: Pane e Tulipani
Origem/Ano: Itália – França : 2000
Duração: 115 min
Direção: Silvio Soldini
 Sinopse: Rosalba, uma dona de casa de Pescara, Itália, está viajando numa excursão de ônibus com sua família. Ao parar em um restaurante de beira de estrada, ela é esquecida pelo marido e pelos filhos. Uma situação propícia para ela fazer o que sempre quis: conhecer Veneza, a cidade dos seus sonhos. Pede carona, deixando apenas um evasivo recado na secretária eletrônica do marido: “Férias”. Nesta pequena escapada, ela irá descobrir uma realidade que nunca experimentou, longe da família e dos afazeres da casa. Enquanto isso, o marido contrata um encanador, fanático por histórias de detetive, para ir atrás da mulher. Mas Rosalba já organizou sua nova vida: arrumou emprego com um velho florista anarquista; um apartamento, que divide com um garçom finlandês, e a amizade da vizinha, Grazia, uma esteticista e massagista. Por insistência do amigo garçom, ela retoma também uma antiga paixão, o acordeão. Quando o encanador-detetive a encontra, ele também percebe que a vida pode ser muito mais divertida do que parece.

16 de set. de 2008

Feliz Natal

Ótimo filme. Quando um tenor alemão é convocado para lutar na guerra, sua namorada, também cantora de ópera, faz de tudo para vê-lo na noite de natal, no front conflagrado, onde estão também os fronts dos franceses e dos escoseces – os três lutando entre si. Quando se juntam, tentam, com sua arma mais poderoso, trazer algum alento aos soldados: cantam, uma música de natal, à capela, belíssima.

É a música que desperta uma fagulha de humanidade, que rapidamente se incendeia, transformando aquela noite numa grande festa, onde cada um deles troca presentes, impressões e experiências. E acabam, de certa forma, criando laços mais fortes e compreendendo a estupidez da guerra.

Além disso, ficam latentes as diferenças culturais entre estes povos, em algumas cenas engraçadíssimas. Mas tudo isso – as diferenças culturais e a guerra – pode ser superado.

Li em algum lugar que é uma história real. Se foi mesmo, melhor ainda – são as melhores. Mas mesmo se não, é uma grande história.

feliz-natal-poster Título Original: Joyeux Noël
Duração: 116 minutos
Origem-Ano: França/Alemanha/ Inglaterra/Romênia : 2005
Direção e roteiro: Christian Carion
Sinopse: Natal de 1914, em plena 1ª Guerra Mundial. A neve e presentes da família e do exército ocupam as trincheiras francesas, escocesas e alemãs, envolvidas no conflito. Durante a noite os soldados saem de suas trincheiras e deixam seus rifles de lado, para apertar as mãos do inimigo e confraternizar o Natal. É o suficiente para mudar a vida de um padre anglicano, um tenente francês, um grande tenor alemão e sua companheira, uma soprano.
Site Oficial: www.merrychristmas-themovie.com